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Tumores digestivos causam 74 mil mortes por ano no Brasil

Conheça os principais sinais de alerta e entenda por que muitos desses tumores são descobertos tardiamente.

Os tumores malignos que afetam órgãos da cavidade abdominal estão entre as principais causas de morte por câncer no país. Dados do Ministério da Saúde de 2025 indicam que os cânceres colorretal, de pâncreas, estômago, fígado, esôfago e peritônio somaram aproximadamente 74 mil mortes em um único ano.

O dado chama atenção não apenas pelo número elevado de óbitos, mas também por uma característica comum a muitos desses tumores: os sintomas iniciais costumam ser discretos ou facilmente confundidos com problemas digestivos do dia a dia.

Em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando a doença já está em estágios mais avançados, o que reduz as chances de sucesso no tratamento.

O que está por trás dos números

O aumento dos casos e das mortes por tumores digestivos resulta de uma combinação de fatores, entre eles:

  • Envelhecimento da população brasileira;
  • Maior consumo de alimentos ultraprocessados;
  • Dieta pobre em fibras;
  • Aumento da obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Consumo frequente de bebidas alcoólicas.

Além disso, muitos desses tipos de câncer apresentam evolução silenciosa nas fases iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio.

Esse contexto ajuda a explicar por que as taxas de mortalidade dos cânceres digestivos ainda são elevadas, mesmo com os avanços da medicina.

Sintomas silenciosos dos tumores digestivos

Os tumores do sistema digestivo frequentemente apresentam sintomas pouco específicos no início, o que pode atrasar o diagnóstico. Além disso, muitos sinais podem ser confundidos com doenças gastrointestinais comuns, como refluxo ou má digestão.

1. Câncer colorretal

Nas fases iniciais, o câncer colorretal pode não causar sintomas. Quando aparecem, os mais comuns incluem:

  • Sangue nas fezes;
  • Alterações persistentes do hábito intestinal;
  • Diarreia ou constipação frequentes;
  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Cansaço excessivo;
  • Anemia sem causa aparente.

2. Câncer de pâncreas

Conhecido por sua evolução silenciosa, o câncer de pâncreas pode causar:

  • Dor abdominal persistente;
  • Dor nas costas;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Falta de apetite;
  • Icterícia (pele e olhos amarelados).

3. Câncer de estômago

Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e podem ser confundidos com problemas digestivos comuns:

  • Má digestão frequente;
  • Sensação de estômago cheio após pequenas refeições;
  • Perda de apetite;
  • Náuseas;
  • Perda de peso involuntária.

4. Câncer de fígado

Geralmente os sintomas aparecem em fases mais avançadas, podendo incluir:

  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Aumento do volume abdominal;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Cansaço excessivo;
  • Icterícia.

5. Câncer de esôfago

O principal sintoma é a dificuldade progressiva para engolir. Outros sinais incluem:

  • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito;
  • Perda de peso involuntária;
  • Dor ao engolir;
  • Rouquidão persistente.

6. Câncer de peritônio

Por acometer a membrana que reveste a cavidade abdominal, costuma causar sintomas inespecíficos:

  • Inchaço abdominal persistente;
  • Sensação frequente de estufamento;
  • Dor abdominal;
  • Alterações do hábito intestinal;
  • Perda de peso sem explicação.

É importante procurar avaliação médica quando qualquer um desses sintomas persiste por semanas, piora progressivamente ou surge sem causa aparente.

Câncer de pâncreas: o mais silencioso

Entre os tumores digestivos, o câncer de pâncreas é um dos mais difíceis de diagnosticar precocemente. Isso ocorre porque, na maioria dos casos, ele evolui sem sintomas específicos nas fases iniciais e costuma ser identificado já em estágios avançados.

Quando presentes, os sintomas podem incluir:

  • Dor ou desconforto na parte superior do abdômen;
  • Dor nas costas, especialmente na região lombar;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Falta de apetite;
  • Náuseas;
  • Cansaço persistente;
  • Icterícia.

Nem toda dor nas costas está relacionada ao pâncreas. No entanto, quando ela surge sem causa clara ou associada a outros sintomas, como emagrecimento involuntário, é importante buscar avaliação médica.

Embora o câncer de pâncreas tenha um dos piores prognósticos entre os tumores digestivos, o diagnóstico precoce pode ampliar as opções de tratamento e melhorar os resultados.

Câncer colorretal: o mais letal

Também chamado de câncer de intestino, o câncer colorretal afeta o intestino grosso (cólon) e o reto. Segundo dados do Ministério da Saúde, ele está entre os tumores digestivos mais letais no Brasil, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Em muitos casos, a doença se desenvolve a partir de pólipos intestinais, lesões benignas que podem evoluir para câncer ao longo dos anos se não forem removidas.

Quais são os fatores de risco?

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer colorretal:

  • Idade acima de 50 anos (ou 45 anos em diretrizes mais recentes de rastreamento);
  • Histórico familiar da doença;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Dieta rica em carnes processadas e ultraprocessados;
  • Doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa.

Colonoscopia previne câncer colorretal?

Sim. A colonoscopia é o principal exame para prevenção do câncer colorretal. Além de identificar alterações, ela permite remover pólipos antes que evoluam para tumores malignos.

Por isso, é considerada um exame fundamental para reduzir a incidência e a mortalidade da doença.

Hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, evitar tabagismo e moderar o consumo de álcool, também ajudam a reduzir o risco.

O que é o teste FIT?

O FIT (Fecal Immunochemical Test) é um exame que detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, invisíveis a olho nu. Ele é simples, não invasivo e amplamente utilizado no rastreamento do câncer colorretal.

Quando positivo, geralmente é indicada a realização de colonoscopia para investigação da causa do sangramento.

Quais exames ajudam a diagnosticar tumores digestivos?

A escolha dos exames depende dos sintomas, da suspeita clínica e do histórico do paciente. Entre os principais métodos estão:

  • Exames de sangue, que podem sugerir alterações associadas à doença;
  • Pesquisa de sangue oculto nas fezes, usada no rastreamento do câncer colorretal;
  • Endoscopia digestiva alta, para avaliação de esôfago, estômago e duodeno;
  • Colonoscopia, principal exame para intestino grosso e reto;
  • Ultrassonografia abdominal, útil na avaliação de fígado, vesícula e pâncreas;
  • Tomografia computadorizada, importante para detecção e estadiamento;
  • Ressonância magnética, em casos específicos;
  • Biópsia, que confirma o diagnóstico ao analisar o tecido suspeito.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

Quando diagnosticados precocemente, muitos tumores digestivos podem ser tratados antes de se espalharem para outros órgãos. Isso aumenta significativamente as chances de controle da doença e de cura.

Por isso, sintomas persistentes ou fatores de risco devem sempre ser investigados o quanto antes.

Leia também: Qual exame detecta câncer? Saiba quais são os principais testes para diagnóstico precoce

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Revisão médica:

Dra. Fernanda Frozoni Antonacio

Oncologista Clínica

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