O câncer no baço, também chamado de neoplasia esplênica, é uma condição relativamente rara, mas que merece atenção quando identificada. O baço, localizado no quadrante superior esquerdo do abdômen, abaixo das costelas, desempenha funções importantes no sistema imunológico, atuando na filtragem do sangue, na remoção de células sanguíneas envelhecidas e na participação na defesa contra infecções.
Embora a maioria das alterações tumorais no baço seja secundária, ou seja, decorrente de infiltração por linfomas, leucemias ou metástases de outros órgãos os tumores primários também existem, são raros e exigem avaliação especializada.
O que é o câncer no baço?
O câncer no baço pode se apresentar de diferentes formas. Os tumores primários se originam no próprio baço e são incomuns. Já os tumores secundários são mais frequentes e ocorrem quando o baço é comprometido por outros tipos de câncer ou doenças hematológicas.
Em muitos casos, as alterações no baço são descobertas incidentalmente durante exames de imagem realizados por outros motivos, já que nem sempre causam sintomas iniciais.
Quais são os tipos de tumores primários e secundários?
Os tumores primários são aqueles que se originam diretamente no baço. Eles são raros e incluem:
- Linfoma da zona marginal esplênica: o tipo mais comum entre os tumores primários. Trata-se de um linfoma indolente, de crescimento geralmente lento, que se desenvolve a partir de células do sistema linfático presentes no baço;
- Linfoma difuso de grandes células B: um tipo de linfoma mais agressivo, que pode acometer o tecido linfático esplênico;
- Angiossarcoma esplênico: tumor extremamente raro e altamente agressivo, originado nas células dos vasos sanguíneos do baço.
Os tumores secundários são mais frequentes e ocorrem quando há comprometimento do baço por doenças sistêmicas ou disseminação de câncer de outros órgãos. Os principais são:
- Infiltração por linfomas ou leucemias sistêmicas;
- Metástases de outros cânceres, como pulmão, mama, melanoma ou cólon.
Também é importante reforçar que muitas alterações no baço são identificadas incidentalmente em exames de imagem, sem suspeita clínica prévia.
Quais são os sintomas do câncer no baço?
Em muitos casos, o câncer no baço pode não causar sintomas no início. Quando presentes, os mais comuns incluem:
- Dor ou desconforto no lado superior esquerdo do abdômen;
- Aumento do baço (esplenomegalia), com sensação de saciedade precoce;
- Fadiga, fraqueza e anemia;
- Perda de peso inexplicada;
- Febre e suores noturnos;
- Infecções mais frequentes;
- Tendência a sangramentos ou aparecimento de manchas roxas na pele.
É importante destacar que nem todo baço aumentado ou dor abdominal significa câncer. Existem diversas causas benignas e inflamatórias mais comuns.
O que causa o câncer no baço?
Não há uma causa única definida. Em geral, os tumores esplênicos estão associados a doenças hematológicas, como linfomas e leucemias, além de alterações do sistema imunológico, idade avançada e histórico de outros cânceres.
O baço é frequentemente envolvido secundariamente por essas doenças, sendo mais um órgão de manifestação do que de origem primária do câncer.
Como é feito o diagnóstico do câncer no baço?
O diagnóstico geralmente envolve uma combinação de métodos:
- Exame clínico e avaliação do abdômen;
- Exames de sangue, como hemograma completo;
- Exames de imagem, incluindo ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e, em alguns casos, PET-CT;
- Biópsia ou análise do tecido, quando necessária, frequentemente após cirurgia.
Como é o tratamento do câncer no baço?
O tratamento depende do tipo de tumor e da doença de base, podendo incluir:
- Cirurgia (esplenectomia), muitas vezes por via laparoscópica;
- Quimioterapia;
- Imunoterapia e terapias-alvo;
- Radioterapia em situações específicas.
Após a remoção do baço, são necessárias medidas preventivas, como vacinação e orientação para reduzir o risco de infecções, já que o baço desempenha papel importante na imunidade.
Como é a cirurgia para câncer no baço?
A cirurgia mais realizada nesses casos é a esplenectomia, que consiste na retirada total ou parcial do baço.
Esse procedimento pode ser feito de diferentes maneiras:
- Por laparoscopia (técnica minimamente invasiva): são realizados pequenos cortes no abdômen, por onde o cirurgião introduz uma câmera e instrumentos delicados. Em geral, está associada a menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida;
- Por cirurgia robótica: semelhante à laparoscopia, mas realizada com o auxílio de um sistema robótico controlado pelo cirurgião. Essa técnica pode oferecer maior precisão e melhor visualização em alguns casos, embora sua indicação dependa da disponibilidade do serviço e da complexidade do caso;
- Cirurgia aberta: feita por meio de uma incisão maior no abdômen. Costuma ser indicada em situações mais complexas, como baço muito aumentado ou suspeita de comprometimento mais extenso.
A esplenectomia pode ser indicada tanto para diagnóstico quanto para tratamento, especialmente quando há aumento importante do baço ou risco de ruptura. Após a cirurgia, o paciente recebe orientações sobre vacinação e prevenção de infecções, já que o baço desempenha um papel importante na defesa do organismo.
Quando procurar um médico?
É importante buscar avaliação médica especializada sempre que houver:
- Dor persistente no lado superior esquerdo do abdômen;
- Aumento do baço identificado em exames de imagem ou durante avaliação clínica;
- Sintomas sistêmicos sem causa aparente, como perda de peso inexplicada, fadiga persistente ou febre prolongada;
- Infecções frequentes ou sinais de fragilidade do sistema imunológico.
Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas indicam a necessidade de investigação médica para esclarecer a causa.
Leia também: Câncer no baço: Entenda o que é, sintomas e qual a gravidade – Oncologia D’Or
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