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Atualização da classificação BI-RADS v.2025: o que mudou para a prática clínica?

Novas atualizações do BI-RADS v.2025 redefinem pontos-chave da radiologia mamária. Acesse o conteúdo e saiba mais.
Por: Rede D'Or
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A padronização da imagem mamária por meio do BI-RADS® constitui um dos pilares da prática clínica em mastologia e oncologia mamária, permitindo uniformidade na descrição dos achados, estratificação de risco e definição de condutas. Desde sua introdução, o sistema tem sido continuamente revisado para incorporar avanços tecnológicos e melhorar a consistência da comunicação entre radiologistas e médicos assistentes.

A 6ª edição do BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), oficialmente lançada em 2025, encerra mais de uma década de evolução desde a publicação da 5ª edição em 2013. A nova versão representa uma atualização relevante nesse processo, com mudanças que vão além de ajustes terminológicos. O novo modelo enfatiza integração entre modalidades, padronização estrutural dos laudos,  refinamento do léxico e inclusão de novas tecnologias como a mamografia com contraste, com impacto direto na interpretação clínica dos exames.

Diferentemente de versões anteriores, o BI-RADS v.2025 foi concebido como um manual dinâmico, com versionamento por ano de publicação, permitindo atualizações mais frequentes e alinhadas à evolução das tecnologias em imagem mamária.

O que é o BI-RADS e qual sua aplicação clínica

O BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) é um sistema padronizado desenvolvido pelo American College of Radiology com o objetivo de uniformizar a terminologia, a estrutura dos laudos e as recomendações de manejo em imagem mamária.

Sua aplicação envolve três pilares principais:

  • Padronização da descrição dos achados;
  • Categorização do risco de malignidade;
  • Recomendação de conduta clínica.

Esse sistema permite reduzir variabilidade interobservador, melhorar a comunicação entre especialidades e facilitar auditoria de desempenho em serviços de imagem.

No Brasil, o BI-RADS é fortemente recomendado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e amplamente adotado na prática diária, sendo referência para radiologistas, ginecologistas, mastologistas e oncologistas. Seu impacto extrapolou a radiologia mamária: o BI-RADS serviu de base conceitual para sistemas como PI-RADS (próstata), TI-RADS (tireoide) e O-RADS (ovário), consolidando-se como modelo universal de padronização diagnóstica.

O que mudou na estrutura da 6ª Edição?

De "Atlas" para "Manual"

Uma das primeiras mudanças formais da nova edição é a transição do termo “Atlas” para “Manual”, refletindo a ampliação do escopo do documento para além do léxico descritivo. O sistema de versionamento passa a ser definido pelo ano de publicação, alinhado ao programa RADS do ACR, resultando na denominação oficial BI-RADS v.2025.

Mamografia Contrastada (CEM) como seção definitiva

Talvez a mudança mais aguardada pela comunidade médica seja a inclusão definitiva da mamografia contrastada (CEM — Contrast Enhanced Mammography) como seção própria do manual. Anteriormente tratada apenas como suplemento, a CEM passa a ter léxico específico, critérios de classificação e recomendações de manejo, reconhecendo sua crescente relevância clínica em cenários de avaliação complementar e estadiamento de extensão da doença.

Harmonização entre modalidades e versão digital interativa

A nova edição promove reorganização completa dos léxicos para mamografia, ultrassonografia (US), ressonância magnética (RM) e CEM, buscando consistência terminológica entre modalidades. Os relatórios seguem estrutura padronizada com seções de indicação, técnica, achados, avaliação e recomendação de conduta. O manual passa a contar com FAQs gerais e específicas por modalidade, além de uma versão digital interativa que facilita a consulta rápida no dia a dia clínico.

Revisões no Léxico: o que muda na descrição dos achados?

Eliminação do descritor "microlobulado"

A 6ª edição exclui o descritor “microlobulado” como categoria independente de margem. Esse achado passa a ser incorporado ao descritor “indistinta”, reduzindo ambiguidades terminológicas que historicamente geravam inconsistências de classificação entre leitores e serviços.

Atualização dos descritores de calcificações

A 6ª edição exclui o descritor “microlobulado” como categoria independente de margem. Esse achado passa a ser incorporado ao descritor “indistinta”, reduzindo ambiguidades terminológicas que historicamente geravam inconsistências de classificação entre leitores e serviços.

Achados na ressonância magnética: reclassificação de focos

Na RM mamária, achados previamente classificados como BI-RADS 3 — como determinados focos de realce — tais achados passam a ser descritos como pequenas massas ou como realce parenquimatoso de fundo (BPE). Essa mudança pode ter impacto direto na redução de indicações de controle de imagem desnecessário e, consequentemente, de biópsias evitáveis.

Reclassificação de "achados associados" para "achados secundários"

Achados antes descritos como “associados”, incluindo linfonodos axilares e distorção arquitetural, passam a ser tratados como “achados secundários”, promovendo maior clareza na hierarquização dos achados no laudo radiológico.

Categoria BI-RADS 6: definição estável, manejo em evolução

A categoria BI-RADS 6 recebeu atenção especial na nova edição. Sua definição permanece e foi levemente ampliada: é reservada para lesões com diagnóstico histopatológico confirmado de malignidade e também para achados próximos adicionais (dentro de 2 cm), suspeitos mas não definitivamente malignos, quando atendem critérios específicos. A principal atualização está nas orientações de manejo.

Nova recomendação de manejo:

Recomendação BI-RADS 6 — v.2025

“Acompanhamento clínico com cirurgião e/ou oncologista e terapia definitiva local (geralmente cirurgia), quando clinicamente apropriada.” Esta recomendação substitui a indicação anterior centrada exclusivamente na excisão cirúrgica, reconhecendo formalmente abordagens contemporâneas como terapias definitivas emergentes em cenários selecionados.

É importante ressaltar que não há indicação de nova biópsia da lesão index classificada como BI-RADS 6, uma vez que o diagnóstico histológico já foi estabelecido. A imagem passa a ser fundamental para avaliação de extensão da doença, monitoramento de resposta terapêutica e detecção de recidivas.

Implicações para o laudo radiológico

Na prática, o laudo de lesão classificada como BI-RADS 6 deve, sempre que possível, mencionar o tipo histológico e o método de confirmação diagnóstica, reforçando a integração entre imagem e patologia. Diferentes modalidades (RM, US, CEM) assumem papéis complementares no acompanhamento oncológico, especialmente em pacientes submetidas a terapias sistêmicas.

Classificação BI-RADS v.2025: categorias e condutas

A tabela abaixo resume todas as categorias do sistema BI-RADS com suas respectivas definições, risco de malignidade e condutas atualizadas conforme a v.2025.

Comparativo: 5ª Edição (2013) vs. 6ª Edição (BI-RADS v.2025)

A tabela abaixo sintetiza as principais mudanças entre as duas edições, organizadas por aspecto clínico e estrutural, para facilitar a interpretação clínica e a adoção das novas diretrizes na prática diária.

Conclusão

A 6ª edição do BI-RADS consolida mais de uma década de avanços em radiologia mamária, incorporando novas tecnologias, revisando léxicos e alinhando recomendações de manejo às práticas terapêuticas contemporâneas. Compreender essas mudanças é essencial para garantir laudos precisos, comunicação efetiva e cuidado oncológico centrado no paciente.

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