Arritmia tem cura? Conheça os tratamentos e quando a condição pode ser grave

A arritmia cardíaca é uma alteração no ritmo dos batimentos do coração. Dependendo do tipo e da causa, ela pode ser benigna e não representar riscos importantes à saúde. Em outros casos, pode aumentar o risco de complicações graves, como AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e até morte súbita.
Dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) apontam que aproximadamente 20 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de arritmia cardíaca. A condição está associada a cerca de 320 mil mortes por ano no país.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes é: arritmia tem cura? A resposta é que alguns tipos podem ser curados, enquanto outros podem ser controlados de forma eficaz com tratamento e acompanhamento médico.
Continue a leitura para entender o que é arritmia, quais são os sintomas, os tratamentos disponíveis e quando a condição pode ser considerada grave.
Arritmia cardíaca tem cura?
Sim, alguns tipos de arritmia cardíaca podem ser curados, especialmente quando a alteração elétrica do coração pode ser corrigida por procedimentos específicos ou quando a causa é reversível. Em outros casos, a condição pode ser controlada com medicamentos, dispositivos cardíacos e acompanhamento especializado, permitindo ao paciente ter qualidade de vida e segurança.
A possibilidade de cura depende de diversos fatores, como:
- Tipo de arritmia;
- Causa da alteração do ritmo cardíaco;
- Presença de doenças cardíacas associadas;
- Idade e condições gerais de saúde do paciente.
“Algumas arritmias, como a taquicardia paroxística supraventricular, podem ser curadas pela ablação por cateter, mas a maioria das arritmias tem controle com seguimento clínico e, em alguns casos, com medicamentos”, explica Dr. Eustáquio Ferreira, médico assistente da equipe de arritmia e do Holter do Hospital do Coração do Brasil e do DF Star da Rede D’Or – Brasília.
O que é arritmia cardíaca?
Dr. Eustáquio Ferreira explica que as arritmias cardíacas são distúrbios do ritmo cardíaco.
O coração possui um sistema elétrico responsável por coordenar seus batimentos. Quando ocorre alguma alteração na formação ou condução desses impulsos elétricos, o ritmo cardíaco pode ficar irregular, acelerado ou lento.
Principais tipos de arritmias:
- Taquicardia (batimentos acelerados);
- Bradicardia (batimentos lentos);
- Extrassístoles (batimentos irregulares);
- Fibrilação atrial;
- Flutter atrial.
Nem toda alteração do ritmo cardíaco é perigosa, mas toda suspeita deve ser avaliada por um cardiologista.
Quais são os sintomas de arritmia?
Os sintomas da arritmia cardíaca variam conforme o tipo da alteração e as características de cada paciente. Algumas pessoas podem não apresentar sintomas, enquanto outras percebem sinais que interferem na rotina.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Palpitações;
- Sensação de coração acelerado;
- Batimentos irregulares;
- Tontura;
- Desmaio (síncope);
- Falta de ar;
- Cansaço excessivo;
- Dor no peito.
Ao perceber qualquer um desses sintomas, é importante buscar avaliação médica para investigação da causa.
Quais arritmias podem ser curadas?
Diversas arritmias apresentam altas taxas de sucesso com os tratamentos atuais.
Taquicardia supraventricular
É uma das arritmias mais comuns em pessoas jovens. Muitas vezes pode ser curada por meio de um procedimento chamado ablação por cateter.
Algumas formas de fibrilação atrial
Embora nem todos os casos sejam curáveis, muitos pacientes conseguem eliminar ou reduzir significativamente os episódios com medicamentos ou ablação.
Arritmias causadas por fatores reversíveis
Quando a arritmia é provocada por fatores tratáveis, sua correção pode levar ao desaparecimento do problema.
Entre as causas reversíveis estão:
- Distúrbios da tireoide;
- Alterações dos níveis de potássio;
- Consumo excessivo de cafeína, energéticos e estimulantes;
- Consumo de álcool;
- Efeitos colaterais de medicamentos;
“Algumas arritmias podem ser passíveis de cura por ablação por cateter como taquicardia paroxística supraventricular ou pré-excitação da síndrome de Woff-Parkinson-White e alguns casos de fibrilação atrial e flutter atrial. Já algumas bradiarritmias são causadas por medicamentos e podem ser completamente resolvidas com a suspensão dessa medicação que a causou, desde que seu uso não seja essencial”, complementa Dr. Ferreira.
Quais são os tratamentos para arritmia?
O tratamento da arritmia varia de acordo com o tipo e a gravidade da condição. “Algumas arritmias podem ser tratadas com ablação, outras com marca-passo cardíaco artificial, outras com cardiodesfibrilador implantável e outras com medicamentos e acompanhamento clínico seriado”, detalha Dr. Eustáquio Ferreira.
Medicamentos
Os medicamentos antiarrítmicos ajudam a controlar o ritmo cardíaco, reduzir sintomas e diminuir o risco de complicações em alguns pacientes.
Ablação por cateter
A ablação é um procedimento minimamente invasivo realizado por um eletrofisiologista.
“A ablação é um procedimento feito com auxílio de um cateter que entra pela região inguinal (virilha). Nesse procedimento é mapeada a parte elétrica do coração internamente (dentro do coração) pelo cateter e identificadas arritmias que possam ser ablacionadas (cauterizadas)”, descreve Dr. Ferreira.
É recomendada para alguns tipos de arritmias como a taquicardia paroxística supraventricular, pré-excitação ventricular, e em alguns casos de flutter atrial ou fibrilação atrial.
“Algumas arritmias podem recorrer mesmo após ablação com sucesso”, adiciona o cardiologista.
Marca-passo
Indicado principalmente para pacientes com bradicardia significativa, o marca-passo ajuda a manter uma frequência cardíaca adequada.
“Alguns tipos de arritmias lentas (bradiarritmias) com bloqueios cardíacos mais avançados necessitam de marca-passo para tratamento, especialmente se o paciente estiver tendo sintomas como síncope, tonturas ou cansaço desproporcional”, afirma Dr. Eustáquio Ferreira.
O dispositivo envia impulsos elétricos quando o coração bate mais lentamente do que o necessário.
Cardiodesfibrilador implantável (CDI)
O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é recomendado para pacientes com alto risco de arritmias graves e morte súbita. “O CDI deve ser implantado em pacientes com taquiarritmias ventriculares graves que exponham paciente a risco de vida”, destaca o especialista.
O aparelho monitora continuamente o ritmo cardíaco e pode aplicar choques automáticos quando identifica alterações potencialmente fatais.
“Paciente com arritmias cardíacas benignas e que não tenham sintomas podem ser acompanhados de maneira seriada sem necessidade do uso de medicamentos”, complementa.
Dr. Eustáquio Ferreira destaca ainda que mudanças no estilo de vida, como a prática regular de exercício físico de intensidade moderada, a redução do consumo de estimulantes, como energéticos, pré-treinos ou café em excesso, o controle do peso, a manutenção de um sono reparador e o controle do estresse contribuem significativamente para o manejo das arritmias cardíacas.
Como é feito o diagnóstico da arritmia?
O diagnóstico é fundamental para identificar o tipo de arritmia e definir a melhor estratégia de tratamento.
Os principais exames incluem:
O estudo eletrofisiológico é um exame invasivo que permite avaliar detalhadamente o sistema elétrico do coração e identificar focos de arritmia.
O acompanhamento com um cardiologista especializado em arritmias, chamado arritmologista, é fundamental para definir o melhor tratamento e monitorar a evolução da condição.
Quando a arritmia pode ser grave?
Nem toda arritmia representa perigo imediato, mas alguns sinais exigem atenção.
A condição pode ser mais preocupante quando está associada a:
- Desmaios (síncope);
- Palpitações frequentes;
- Falta de ar;
- Cansaço desproporcional;
- Doença cardíaca estrutural;
- Histórico de morte súbita na família.
Além disso, algumas arritmias podem aumentar o risco de AVC, insuficiência cardíaca e morte súbita.
“Mesmo sem sintomas é obrigatório um controle de arritmias com consultas seriadas para identificar arritmias assintomáticas e realizar o controle de longo prazo”, alerta Dr. Ferreira.
“A importância do acompanhamento com arritmologista é para poder junto com o paciente planejar a melhor estratégia de tratamento e acompanhamento com o olhar do médico com maior expertise no problema”, ressalta Dr. Eustáquio Ferreira.
Perguntas frequentes sobre arritmia
Arritmia tem cura?
Alguns tipos podem ser curados, especialmente quando tratados com ablação ou quando a causa é reversível. Outros podem ser controlados de forma eficaz.
Toda arritmia é perigosa?
Não. Muitas arritmias são benignas e não oferecem risco significativo. No entanto, algumas exigem acompanhamento especializado.
Arritmia pode desaparecer sozinha?
Algumas alterações temporárias podem desaparecer após a correção da causa, mas é importante investigar qualquer sintoma.
Arritmia pode causar AVC?
Sim. Algumas arritmias, especialmente a fibrilação atrial, aumentam o risco de formação de coágulos que podem provocar AVC.
Arritmia pode causar morte súbita?
Alguns tipos de arritmias ventriculares graves podem aumentar o risco de morte súbita e exigem acompanhamento especializado.
Qual o melhor tratamento para arritmia?
O melhor tratamento depende do tipo de arritmia e das características de cada paciente. As opções incluem medicamentos, ablação, marca-passo e cardiodesfibrilador implantável.
Quando devo procurar um especialista?
A avaliação médica é recomendada sempre que houver sintomas como palpitações, tontura, desmaio, falta de ar ou sensação de coração acelerado.
LEIA TAMBÉM: Você sente cansaço, falta de ar e palpitação?
A arritmia cardíaca nem sempre é grave e, em muitos casos, pode ser controlada ou até curada. O tratamento depende do tipo de arritmia, da causa do problema e das características de cada paciente.
Ao perceber sintomas como palpitações, tontura ou desmaios, agende uma avaliação com um dos especialistas D’Or. Identificar a causa da arritmia é o primeiro passo para proteger a saúde do coração e garantir mais qualidade de vida.