O câncer de pele não melanoma é o tipo de tumor maligno mais comum no Brasil. Apesar dessa alta frequência, na maioria dos casos apresenta altas chances de cura e baixa probabilidade de mortalidade, especialmente quando comparado a outros tipos de câncer.
De forma geral, o câncer de pele é dividido em dois grandes grupos: melanoma e não melanoma. O melanoma se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, e costuma apresentar comportamento mais agressivo, com maior chance de metástase (disseminação para outras regiões do corpo).
Já o câncer de pele não melanoma surge, principalmente, em células da epiderme, como as células basais e as células escamosas (também chamadas de espinocelulares). Em geral, esses tumores apresentam crescimento mais lento e menor probabilidade de disseminação para outros órgãos.
No entanto, o câncer de pele não melanoma também exige atenção. Embora isso ocorra com menor frequência, o tumor pode crescer progressivamente, invadir tecidos mais profundos e causar complicações locais importantes.
O ponto central está no diagnóstico precoce. Lesões suspeitas avaliadas ainda nos estágios iniciais geralmente podem ser tratadas por meio de procedimentos relativamente simples, com altas taxas de sucesso e menor risco de sequelas. Por outro lado, o atraso na busca por avaliação médica pode permitir que a lesão aumente de tamanho e comprometa estruturas próximas, tornando o tratamento mais complexo.
Quando o câncer de pele não melanoma pode se tornar grave?
Uma das principais causas de gravidade é o crescimento progressivo da lesão sem acompanhamento médico. Com o tempo, o tumor pode aumentar de tamanho e invadir camadas mais profundas da pele, atingindo estruturas como cartilagens, músculos e, em casos mais avançados, até ossos.
Em regiões como nariz, orelhas, pálpebras e lábios, isso pode gerar comprometimento funcional e estético significativo.
O carcinoma espinocelular, em especial, merece atenção redobrada, pois apresenta maior risco de disseminação para linfonodos e outras partes do corpo, sobretudo quando:
- A lesão é grande ou profunda;
- Está localizada em mucosas ou regiões consideradas de maior risco;
- O paciente apresenta imunossupressão (como transplantados ou pessoas em uso de medicamentos imunossupressores);
- O diagnóstico é realizado em estágio mais avançado.
Outro fator importante é a recorrência. Tumores que retornam após o tratamento podem apresentar comportamento mais agressivo e demandar abordagens terapêuticas mais complexas.
A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, as chances de controle e cura da doença costumam ser muito elevadas.
Tipos de câncer de pele não melanoma
Os tipos mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. Ambos se originam em células da epiderme, a camada mais superficial da pele, porém apresentam características clínicas e comportamentos diferentes.
Carcinoma basocelular (CBC)
O carcinoma basocelular é o tipo mais frequente de câncer de pele não melanoma. Ele se desenvolve a partir das células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme.
Esse tumor costuma apresentar crescimento lento e raramente se dissemina para outros órgãos. Por esse motivo, é considerado o tipo menos agressivo entre os cânceres de pele.
No entanto, quando não tratado, o carcinoma basocelular pode crescer progressivamente e invadir estruturas próximas, causando destruição local significativa, especialmente quando surge em regiões do rosto.
Carcinoma espinocelular (CEC)
Também chamado de carcinoma de células escamosas, é o segundo tipo mais comum de câncer de pele não melanoma. Ele se origina nas células escamosas, que compõem as camadas mais superficiais da epiderme.
Em comparação ao carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular costuma apresentar comportamento mais agressivo, com maior risco de invadir tecidos profundos e de se disseminar para linfonodos ou outras regiões do corpo, principalmente quando diagnosticado tardiamente.
Sinais e sintomas
As manifestações do câncer de pele não melanoma geralmente surgem de forma gradual e, muitas vezes, podem ser confundidas com pequenas feridas, machucados ou irritações cutâneas comuns. Por isso, é fundamental observar alterações na pele que persistem ou apresentam mudanças ao longo do tempo.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Ferida que não cicatriza mesmo após algumas semanas;
- Lesão que sangra com facilidade ou forma crostas repetidamente;
- Nódulo ou caroço brilhante, rosado, avermelhado ou com aspecto perolado;
- Mancha ou placa avermelhada, áspera ou descamativa;
- Área endurecida ou espessada na pele;
- Úlcera (ferida aberta) que pode aumentar progressivamente de tamanho.
Essas alterações aparecem com maior frequência em áreas mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, couro cabeludo, pescoço, ombros e braços, mas também podem surgir em outras regiões do corpo.
Leia também: Como identificar o câncer de pele? Cinco sinais para observar
Causas e fatores associados
O câncer de pele não melanoma está fortemente associado à exposição à radiação ultravioleta (UV), proveniente principalmente da luz solar. A exposição excessiva e cumulativa ao longo dos anos é considerada o principal fator relacionado ao desenvolvimento da doença.
Além disso, pessoas com pele clara, olhos claros e cabelos loiros ou ruivos possuem menor quantidade de melanina, pigmento que ajuda a proteger a pele contra os efeitos da radiação UV. Por isso, apresentam maior risco de desenvolver esse tipo de câncer.
Outros fatores associados ao câncer de pele não melanoma incluem:
- Sistema imunológico enfraquecido;
- Histórico pessoal ou familiar de câncer de pele;
- Presença de lesões pré-cancerígenas, como a queratose actínica;
- Exposição a determinadas substâncias químicas, como o arsênio;
- Radioterapia prévia na região afetada.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico do câncer de pele não melanoma é realizado inicialmente por meio da avaliação clínica feita por um dermatologista. Durante a consulta, o médico observa as características da lesão e investiga fatores associados, como histórico de exposição solar.
Para aumentar a precisão da avaliação, frequentemente é utilizada a dermatoscopia, exame que permite visualizar estruturas da pele com maior ampliação e detalhamento.
Quando há suspeita de câncer, o diagnóstico é confirmado por meio de biópsia, procedimento em que a lesão é retirada total ou parcialmente para análise em laboratório. Esse exame é fundamental para identificar o tipo de tumor e orientar o tratamento mais adequado.
Se houver suspeita de doença mais avançada — como tumores maiores, mais profundos ou sinais de comprometimento de linfonodos — podem ser solicitados exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Tratamentos disponíveis
O tratamento do câncer de pele não melanoma depende de diversos fatores, como tipo de tumor, tamanho, profundidade e localização da lesão.
A remoção cirúrgica é a abordagem mais comum e eficaz. O procedimento geralmente é realizado com anestesia local e consiste na retirada do tumor com uma margem de segurança de pele saudável ao redor.
Em áreas mais delicadas, como rosto, nariz e pálpebras, pode ser indicada a cirurgia micrográfica de Mohs, técnica que remove o tumor em etapas e permite analisar as margens cirúrgicas durante o procedimento, preservando ao máximo o tecido saudável.
Em situações específicas — principalmente quando a lesão é superficial ou quando a cirurgia não é a melhor opção — outras alternativas terapêuticas podem ser consideradas, como:
- Crioterapia;
- Terapia fotodinâmica;
- Uso de medicamentos tópicos;
- Radioterapia.
Nos casos mais avançados ou quando há disseminação da doença, pode ser necessário tratamento sistêmico, incluindo quimioterapia, a imunoterapia ou a terapia-alvo.
Além disso, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, pode ser importante para oferecer suporte adequado e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Após o tratamento, o acompanhamento médico regular é essencial para identificar possíveis recidivas ou o surgimento de novos tumores.
Prevenção do câncer de pele não melanoma
A principal forma de prevenção é a proteção contra a radiação ultravioleta do sol. Recomenda-se o uso diário de filtro solar com FPS igual ou superior a 30, inclusive em dias nublados.
O protetor solar deve ser reaplicado ao longo do dia, preferencialmente a cada duas horas ou após suor intenso, banho de mar ou piscina.
Outras medidas importantes incluem:
- Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, período de maior intensidade da radiação UV;
- Usar chapéus, bonés, óculos escuros e roupas com proteção UV;
- Preferir permanecer em locais com sombra;
- Evitar o uso de câmaras de bronzeamento artificial, que aumentam o risco de câncer de pele.
Além da proteção solar, é importante realizar o autoexame da pele regularmente, observando o surgimento de novas lesões ou mudanças em manchas já existentes. Consultas periódicas com um dermatologista também são recomendadas.
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