Durante a gravidez, alguns exames de rotina são fundamentais para acompanhar a saúde da mãe e do bebê. Um deles é o rastreamento do diabetes gestacional, uma condição que afeta cerca de 14% das gestações no Brasil.
O diabetes gestacional acontece quando os níveis de glicose no sangue ficam elevados pela primeira vez durante a gravidez. Isso ocorre porque os hormônios produzidos pela placenta aumentam naturalmente a resistência à insulina. Na maioria dos casos, o organismo consegue compensar essa mudança. Quando essa adaptação não acontece, a glicemia pode subir além dos níveis esperados para esse período.
O acompanhamento pré-natal permite identificar a condição precocemente e iniciar os cuidados necessários para uma gestação mais tranquila e segura para a mãe e o bebê.
Fatores de risco para diabetes gestacional
Embora qualquer gestante possa desenvolver diabetes gestacional, alguns fatores estão associados a um risco maior. Conhecê-los ajuda a entender por que o acompanhamento pré-natal é tão importante, mas não substitui o rastreamento recomendado para todas as gestantes.
Os principais fatores de risco incluem:
- Sobrepeso ou obesidade antes da gravidez (IMC igual ou superior a 25)
- Histórico familiar de diabetes tipo 2 em pais ou irmãos
- Histórico de diabetes gestacional em gestação anterior
- Idade materna igual ou superior a 35 anos
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
- Filhos anteriores com peso superior a 4 kg ao nascer (macrossomia)
- Hipertensão arterial pré-existente
- Sedentarismo e alimentação com alto consumo de alimentos ultraprocessados
A literatura científica também mostra que mulheres negras, asiáticas e hispânicas apresentam risco aumentado em comparação com outros grupos. Ainda assim, no Brasil, a FEBRASGO e a Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam o rastreamento universal: o teste para diabetes gestacional deve ser realizado por todas as gestantes, mesmo na ausência desses fatores de risco.
Por que os sintomas de diabetes gestacional podem passar despercebidos?
Quando aparecem, os sintomas do diabetes gestacional — como cansaço mais intenso, aumento da sede ou vontade de urinar com mais frequência — podem ser facilmente confundidos com mudanças comuns da própria gravidez. Além disso, muitas gestantes não apresentam nenhum sinal perceptível.
Por isso, não ter sintomas não significa que a condição não exista. O diagnóstico depende de exames laboratoriais durante o pré-natal, e não apenas da presença de queixas ou alterações percebidas pela gestante.
Exame para diabetes gestacional: como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue durante o pré-natal. O principal deles é o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75 g de glicose, geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, período em que as alterações hormonais da gravidez podem aumentar a resistência à insulina.
Em algumas gestantes com fatores de risco, a investigação pode começar ainda no início do pré-natal, conforme avaliação da equipe de saúde. O teste consiste na coleta de sangue em jejum e após a ingestão de uma solução com glicose, com novas medições após uma e duas horas.
Os critérios utilizados para o diagnóstico no Brasil seguem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, adotadas pelas principais sociedades médicas.
Diabetes gestacional e os cuidados durante a gravidez
O diagnóstico de diabetes gestacional indica a necessidade de um acompanhamento mais próximo ao longo da gravidez. Com orientação da equipe de saúde, é possível controlar os níveis de glicose e reduzir riscos para a mãe e o bebê.
Os principais cuidados incluem:
- Ajustes na alimentação, com uma abordagem individualizada e orientação de nutricionista para ajudar no controle da glicemia.
- Prática de atividade física, quando liberada pela equipe de saúde, como parte do cuidado durante a gestação.
- Monitoramento da glicemia em casa, quando indicado pelo médico, para acompanhar a resposta ao tratamento.
- Uso de insulina, quando necessário, especialmente nos casos em que as mudanças no estilo de vida não são suficientes para manter a glicose dentro das metas recomendadas.
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Os cuidados continuam após o diagnóstico
Quando o diabetes gestacional é identificado, o acompanhamento mais próximo durante a gravidez permite que a equipe de saúde monitore a mãe e o bebê e indique os cuidados necessários para cada caso. A condição pode estar associada a alguns riscos, como pré-eclâmpsia e parto prematuro e, para o bebê, alterações como peso elevado ao nascer, hipoglicemia e icterícia neonatal. Com o acompanhamento adequado, a maioria das gestantes consegue conduzir a gravidez com segurança.
Após o parto, na maioria dos casos, os níveis de glicose voltam ao normal. Mesmo assim, o cuidado não termina com o nascimento do bebê: é importante realizar os exames indicados pelo médico para confirmar a normalização da glicemia e acompanhar a saúde da mulher no longo prazo. Isso porque mulheres que tiveram diabetes gestacional apresentam maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, tornando as consultas e exames de rotina parte importante desse cuidado.
Com informação, acompanhamento e cuidados individualizados, é possível atravessar essa fase com mais segurança e tranquilidade para a mãe e o bebê.


